Artigo sobre simulação realística destaca importância da prática na formação de profissionais de Enfermagem
Um dos principais desafios na formação de profissionais de Enfermagem é colocar em prática o aprendizado acadêmico, principalmente, quando se trata do atendimento em acidentes, sejam eles de qual natureza forem. É necessário estar preparado para lidar com imprevistos.
A fim de trazer mais visibilidade para o tema, o enfermeiro mestre e doutor em Bioética e segundo-secretário do Coren-MG, Júlio César Batista Santana, as enfermeiras mestrandas em Gestão e Educação em Saúde, Giselle Dias de Queiroz e Tatiane da Conceição Ribeiro, o enfermeiro e diretor clínico do Samu, Daniel dos Santos Fernandes, e os acadêmicos de Medicina Lívia Ribeiro Pereira, Lucas Guilherme Martins de Miranda, Camila de Aguiar Lima Fernandes e Letícia Fadda Melo Oliveira desenvolveram o artigo “Treinamento por simulação e colaboração interprofissional em incidentes com múltiplas vítimas: um relato de experiência”.
O estudo está publicado na Revista Inova, um periódico criado pelo Coren-MG voltado para a disseminação de pesquisas e práticas inovadoras nas diversas áreas do conhecimento, dar visibilidade às contribuições da categoria para o sistema de saúde e compartilhar experiências de profissionais de Enfermagem que contribuem para a melhoria da qualidade do cuidado à saúde.
Por que optaram pelo tema para desenvolver o artigo?
A escolha se deu pela necessidade de preparar futuros profissionais para a tomada de decisões rápidas, trabalho em equipe e comunicação interprofissional, fundamentais no atendimento a urgências. O tema foi inspirado na experiência do I Simulado de Incidentes com Múltiplas Vítimas (I Simuv), realizado em Contagem, em setembro de 2023. O evento envolveu acadêmicos, profissionais de saúde e órgãos públicos, proporcionando aprendizado prático sobre a gestão de emergências com múltiplas vítimas.
Como foi estruturada a pesquisa para embasar o artigo?
A pesquisa foi estruturada em duas frentes: embasamento teórico e experiência prática. O levantamento bibliográfico reuniu estudos sobre simulação realística, educação interprofissional e resposta a incidentes com múltiplas vítimas, fornecendo a base científica para a análise. Já a parte prática foi fundamentada na experiência do I Simuv. Durante o simulado, acadêmicos e profissionais de saúde participaram de treinamentos específicos e atuaram em um cenário que replicava um acidente real, promovendo aprendizado participativo e interdisciplinar.
Quais foram os principais desafios enfrentados durante o desenvolvimento do artigo?
Um dos principais desafios foi sintetizar toda a complexidade e riqueza de experiências vivenciadas durante o I Simuv. O evento envolveu diversas etapas, desde a organização, planejamento e treinamentos técnicos, até a execução e avaliação pós-simulação, abrangendo um amplo conjunto de aprendizados práticos e interprofissionais. A interprofissionalidade foi um dos elementos centrais do estudo, pois o simulado reuniu acadêmicos e profissionais de diferentes áreas da saúde, além de órgãos de segurança e parceiros institucionais. Outro desafio foi estruturar o artigo de forma clara e objetiva, garantindo que a metodologia, os resultados e as reflexões fossem apresentados de maneira consistente, sem perder a profundidade da experiência.
Quais são os principais benefícios do treinamento por simulação que foram destacados no artigo?
São inúmeros, destacando-se como uma abordagem ativa de aprendizagem que promove a reflexão crítica e facilita a aplicação prática do conhecimento. Além disso, ao criar cenários realistas, o treinamento por simulação permite que os alunos apliquem teorias na prática, o que fortalece a assimilação do conteúdo e prepara os estudantes para situações complexas. Assim, não apenas prepara os alunos, mas também os torna mais conscientes da importância de sua atuação.
Como o artigo aborda a integração entre diferentes profissionais de saúde no manejo de múltiplas vítimas?
Em eventos extremos, como o manejo de múltiplas vítimas, é essencial que todos os profissionais de saúde, juntamente com outros envolvidos no atendimento – como os órgãos de segurança pública –, atuem de maneira colaborativa para garantir a eficácia do cuidado prestado. O artigo enfatiza que a comunicação eficaz é um dos pilares desse trabalho em equipe, pois ela garante que as informações sejam compartilhadas de maneira clara e precisa entre os diferentes profissionais, minimizando riscos e aumentando a segurança, tanto para as vítimas quanto para a equipe. Além disso, a integração é fortalecida por meio de treinamentos e capacitações, que proporcionam cenários simulados, em que acadêmicos e multiprofissionais têm a oportunidade de praticar o atendimento em conjunto.
A pesquisa traz exemplos ou práticas recomendadas para organizar treinamentos?
Sim. Inicialmente, foram levantadas as atribuições necessárias para o simulado, como treinamento da equipe (briefing, debriefing), caracterização das vítimas (maquiagem), organização das tendas, materiais, equipamentos e cenário do IMV (incidente de múltiplas vítimas), divulgação, organização das equipes. Estas atribuições foram divididas entre os participantes da organização do simulado.
Houve alguma descoberta ou insight surpreendente durante a elaboração do trabalho?
Um dos insights mais surpreendentes foi perceber que o trabalho em equipe, desenvolvido no contexto da simulação, não se limitou à execução das atividades práticas, mas permeou também o processo de avaliação e a busca constante pela excelência na assistência prestada. Esse aprendizado destacou a importância de se trabalhar de forma colaborativa, não apenas em termos de habilidades técnicas, mas também em aspectos fundamentais, como a comunicação eficaz, a empatia e a cooperação entre os profissionais. A ênfase no trabalho interprofissional durante o I Simuv revelou que a atuação conjunta de diferentes áreas da saúde, em um contexto de emergência, é essencial para garantir uma resposta eficaz e humana.
Há planos para ampliar o estudo ou desenvolver novas pesquisas relacionadas ao tema?
Sim. A experiência adquirida oferece uma base sólida para investigar mais a fundo a eficácia de treinamentos em diferentes cenários de emergência, além de avaliar o impacto de tais treinamentos na resposta em tempo real. Além disso, o estudo pode ser expandido para incluir uma análise mais detalhada sobre o impacto da simulação na segurança do paciente, na liderança dos profissionais envolvidos e na eficácia do atendimento em situações extremas. A ampliação do estudo pode também incluir a aplicação de simulações em diferentes contextos geográficos e culturais para entender como adaptar essas estratégias de treinamento à realidade de diversas populações e sistemas de saúde.
O artigo sugere inovações tecnológicas ou metodológicas que podem ser incorporadas aos treinamentos?
Embora o foco principal do artigo não tenha sido este, sabemos que a simulação realística possui um grande potencial de aprimoramento por meio do uso de novas tecnologias. A Realidade Virtual (RV) e Realidade Aumentada (RA), por exemplo, podem criar cenários de emergência ainda mais imersivos, oferecendo experiências realistas sem os riscos do ambiente real. Além disso, o uso de simuladores de alta fidelidade pode replicar de maneira precisa as condições de um paciente, permitindo o treinamento de habilidades técnicas de forma mais eficaz. Outras inovações, como plataformas de treinamento on-line interativas, podem complementar os treinamentos presenciais, proporcionando aprendizado teórico, simulação de casos clínicos e interação remota entre os participantes. Também é possível implementar aplicativos móveis e ferramentas de comunicação em tempo real para otimizar a coordenação entre as equipes, tanto durante os treinamentos quanto em situações de emergência reais.
Qual é a importância de divulgar esse tipo de trabalho em canais como os do Coren-MG?
A visibilidade desse tipo de trabalho fortalece o conhecimento coletivo, fomenta a reflexão sobre práticas eficientes e contribui para a evolução das metodologias de ensino e atuação no campo da saúde. Divulgar esse tipo de trabalho permite que as boas práticas sejam amplamente reconhecidas e incorporadas por outros profissionais, ampliando o impacto positivo na qualidade do atendimento e na gestão de situações de emergência. Além disso, contribui para o desenvolvimento de uma cultura de colaboração e interprofissionalidade, essencial em cenários de urgência/emergência. O impacto da divulgação também se estende à formação dos futuros profissionais, pois, ao tornar essas experiências acessíveis, o Coren-MG oferece aos acadêmicos e recém-formados um modelo de práticas educacionais inovadoras e interativas. Esse tipo de iniciativa não só prepara os profissionais para enfrentar os desafios da prática clínica, mas também os inspira a se tornarem agentes de mudança, a buscar a excelência e a contribuir ativamente para o fortalecimento do sistema de saúde.
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